segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Poderosos Chefs

Por Zeca Baleiro

-Antes de mais nada, não entendo por que chamar cozinheiros de "chefs". Chefes de quê? De quem? Depois, como é que eles se tornaram deuses do nosso tempo? Tá bom, há ótimos cozinheiros por aí, mas...

-Não são apenas ótimos cozinheiros. Há verdadeiros artistas criando novos pratos, reiventando a cozinha, fazendo fusões de culturas, pesquisando ingredientes...

- Tá, reconheço que há gente talentosa, mas há um certo exagero no status atual dos cozinheiros, não acha? Os caras são astros pop, celebridades unânimes, grifes de luxo...São paparicados e tratados com um mimo que, em outro tempo, só os grandes e prestigiosos artistas teriam.

- Mas eles são artistas!

- Sei não, sei não. Há algo errado nisso tudo.

- Como assim?

- Não é estranho que os "artistas" de hoje façam comida e não arte? Sem falar que os pratos estão cada vez mais mínimos e mais caros, uma loucura.

- É, a cozinha moderna é assim mesmo.

- Então prefiro a velha, mais vieille cuisine e menos nouvelle! Precisamos criar uma Renascença na cozinha contemporânea, voltar aos velhos cozidos, ensopados, porções generosas...Mais condimento e menos comedimento!

- Não tem mais volta, darling. As pessoas querem novidade.

- É, eu sei, é por causa dessa sede de novidade que alguns medíocres com senso de oportunidade vencem, se estabelecem...Quer ver qual o truque mais banal usado hoje pelos grandes restaurantes? Cardápio! O cardápio é mais apetitoso que a prórpia comida. Ora, ninguém come cardápio, come?

- Você enloqueceu.

- É verdade, vai por mim. Ah, outro truque banal é o uso de ingredientes exóticos, diferentões. Quanto mais esquisito, melhor. Tipo, "recheado com ervas hidropônicas das Ilhas Fiji" ou "picanha de lhama maturada nas ruínas de Machu Pichu" ou "ovas de esturjão centenário em mel de floradas de eucalipto"; e por aí vai...

- Que exagero!

- E ainda tem balela das harmonizações. Em que Bíblia está escrito que não posso comer peixe acompanhado de vinho tinto? Paladar é como impressão digital, cada um tem o seu. Gosto se discute sim. E também se forja, se inventa. Esse papo é catequese hype, pra confundir a cabeça de quem não tem personalidade.

- Ih, pirou na batatinha...Papo mais conspiratório!

- E o pior é que a coisa que aparentemente as pessoas hoje mais prezam é "personalidade", o que nego mais quer é ser "diferenciado". Mas aí vai a um restaurante e pede o prato que todos pedem, porque ouviu dizer que é "o máximo". Vai comprar um vinho, compra aquele que o sommelier que acabou de se formar num curso intensivo de 20 dias sugere, o que todos estão bebendo...Esse povo ama ater personalidade por uma razão muito simples: porque não tem!

- As pessoas querem cultivar o bom gosto, não há pecado nenhum nisso, há?

- Mas bom gosto de quem, pra quem? Quem ensinou esse bom gosto, quem disse que era bom? Bom gosto é o "seu" gosto, é assumir o que você sinceramente quer.

- Você tá muito filosófico hoje, tá demais pra mim.

- É simples, o mundo tá precisando é de mais Bocage e menos Bocuse.
- Bocage? Quem é, algum novo cozinheiro catalão?

- Não, era português. Poeta.

- Mas...cozinhava?

Última palavra - Revista Istoé - 24/12/2008

Postado ao som de uma antiga ;D
http://br.youtube.com/watch?v=WY_8woQ-HEA

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

E ao me olhar no espelho, olhos nos olhos, perguntei-me:
- Você está ficando d...
Nem precisei terminar a pergunta. Minhas pupilas logo se dilataram um pouco demonstrando fragilidade. Eu não poderia desviar o olhar de mim mesma, diante daquele questionamento tão pertinente. A resposta era "sim". Vinha do fundo de minha alma, tão verdadeiramente que já não encontrei mais nem perguntas, nem respostas. Nem soluções. Viva a dúvida. Quantas vezes já ouvi e pensei isso! Silêncio dentro de mim. Noutro momento, porém, já pensava freneticamente em várias coisas! Balancei a cabeça, levemente, como quem diz "não".

Eu queria fugir dos meus neurônios.

Eu sabia ser necessário sair daquilo. Não é possível, para mim, embarcar em tal viagem. Eu estava desconcertada e ao mesmo tempo feliz por ter sido capaz de me contar aquele segredo. Ele é só meu! Há momentos em que precisamos ser sinceros conosco mesmos. Esse foi um grande passo. Eu ensaiei um sorriso de recomeço. Apenas um esboço no canto esquerdo do lábio e uma contração na testa.

Isso se chamava reflexão, não tristeza. Havia me conscientizado da gravidade do meu ato. Jurei, juro e jurarei nunca mais tocar nesse ponto. Que decepção! Eu tinha mexido na parte que mais valorizo: o mistério das pessoas, da vida! Foi errado, definitivamente errado e infantil. Contudo, tendo prometido nunca mais fazê-lo, sentia-me melhor, perdoada. Se fizessem isso comigo eu realmente me sentiria estranha. Talvez lisonjeada com tanto interesse, mas ao mesmo tempo desrespeitada.

Eu precisava olhar por mim, perseguir os meus interesses.

Quantos pensamentos temos por dia? Milhões?
De onde eles surgem? Sim, do cérebro. Mas por que temos a tendência de pensar em determinados fatos?
Concordo, há pensamentos que nos levam à exaustão.
Cogito ergo sum

Como uma verdadeira artista, gosto de tornar tudo que é vida um pouco menos realidade e mais arte. Escrever é arte. Portanto, me coloco frente ao computador e digito, com rapidez e vontade, tudo isso...Torno eterno e lírico o que me incomoda, pra que um dia eu releia e relembre e diga:
- Aquela foi uma das perguntas feitas por mim, para mim, que me tornaram um pouco melhor, o que eu sou hoje!

Mão no queixo, outra no teclado. Leio "Título" e penso em me repetir. Porque tem coisas que não têm título. Simplesmente existem.

Postado ao som de milhares de pensamentos. E da chuva :D

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Helena Kolody

Retrato Antigo
Quem é essa
Que me olha
De tão longe
Com olhos que foram meus?



Voz da noite

O sol se apaga.
De mansinho,
a sombra cresce.

A voz da noite
diz, baixinho:
esquece... esquece...


Actress.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Um fim de tarde singelo, depois de um dia lindo de primavera. O sol alto, brilhante, aquecedor. O ar nunca esteve tão bom, nada de abafado! Como é bom poder andar na rua sem morrer de calor, mas com a luz amarela do sol. Todos tão felizes na rua. Mesmo com seus próprios problemas para resolver. Mesmo assim.

Agora o sol cai. Porém, o céu ainda está azul, quase sem nuvens. Ouço vozes de criança, lá embaixo. Brincam felizes e rindo. Elas falam com uma ingenuidade sem igual. Vozes deliciosas, e eu aqui, ouvindo encantada. Ao longe ouço os carros passando na avenida, como um efeito sonoro em background para a brincadeira saudável dessas meninas. Sim. Meninas...loiras, de olhos claros, pequeninas!

Que pena...Uma começa a chorar depois de levar um tapa da irmã. Aparece a mãe, já desconfiada e pergunta:
- O que aconteceu?
- Mãããe...a Juliana bateu em mim...

E as três entram e eu só escuto a mulher esbravejando algumas palavras típicas de mãe. E depois, o efeito sonoro em background...e o canto de um pássaro.



Pensei ter sido o fim, mas não foi, pude escutar agora uma das meninas falando puerilmente, de novo. Como se recuperam rápido...

Actress 04/12/2008

Postado ao som de pensamentos paralelos...Dignos da foto!

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Ensaio sobre lágrimas. Acho que já vi algo parecido em algum lugar...

Pensar na vida? Sentar debaixo da árvore e ler um livro! © All rights reserved Fla Barbieri.

Hoje estou sensível. Não, não é tpm...antes fosse. Que coisa mais ridícula chorar por uma ceninha boba de filme. Aliás, qualquer situação hoje me inspira pra chorar...Não sei se é a época do ano (propagandas natalinas são, definitivamente, deprimentes), não sei se é pelos conflitos e discussões, ou talvez pelo cansaço...Mas o pior mesmo é eu escrever sobre isso. Parece diário isso aqui. Um blog funciona, de certa forma, como um diário que te permite escrever no fluxo da consciência e querer se socar depois de uns dias quando você lê as asneiras que escreveu...Funciona como um desabafo para mim. Não diário (de "todo o dia") mas sim casual, quando me dá vontade venho aqui e simplesmente sou um pouco mais eu por poder ter esse espaço.
Ociosidade é terrível. Sobrecarga é terrível também. Onde está meu meio-termo? Eu tenho coisas pra fazer, mas não me inspiro e fico ociosa. Ah, legal, já mudei de assunto. Na verdade isso interfere diretamente no meu estado de espírito que, por sua vez, interfere no meu nível de sensibilidade. Droga. E pensar em festas de fim de ano...sei lá..."festas". Eu deveria colocar aquela frase da liberdade da Cecília Meireles aqui de novo...Penso nela quando penso em festinhas chatinhas de fim de ano. Até parece que não gosto da minha família e das reuniões, blá blá blá. Acho que nem gosto tanto mesmo (das reuniões!). Só que eu sou "adolescente". Sou chata. Simples assim. Sorte que tenho amigos que compartilham da mesma opinião.
Legal. A gente ganha presente no Natal. E quem se lembra de Jesus Cristo? (...)
Ceia. Óóóótimo (ironia). Pelo menos no Ano Novo dá pra tomar excesso de champanhe. E não precisamos enfrentar, novamente, a rua lotada de pessoas gastando o 13º salário...Haha...Ah, eu viajaria com esse dinheiro. Sério!
Devo postar isso aqui, agora. Tenho que fazer coisas...que quem sabe me farão passar no vestibular.

Postado ao som da música ruim do vizinho...Ahhh...Eu vou chorar!!! Hahaha


Actress, 03/12/2008

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Bizarro: eu fazendo prova :P



Processo Seletivo UTFPR - 29/11/2008 ;D