quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

E ao me olhar no espelho, olhos nos olhos, perguntei-me:
- Você está ficando d...
Nem precisei terminar a pergunta. Minhas pupilas logo se dilataram um pouco demonstrando fragilidade. Eu não poderia desviar o olhar de mim mesma, diante daquele questionamento tão pertinente. A resposta era "sim". Vinha do fundo de minha alma, tão verdadeiramente que já não encontrei mais nem perguntas, nem respostas. Nem soluções. Viva a dúvida. Quantas vezes já ouvi e pensei isso! Silêncio dentro de mim. Noutro momento, porém, já pensava freneticamente em várias coisas! Balancei a cabeça, levemente, como quem diz "não".

Eu queria fugir dos meus neurônios.

Eu sabia ser necessário sair daquilo. Não é possível, para mim, embarcar em tal viagem. Eu estava desconcertada e ao mesmo tempo feliz por ter sido capaz de me contar aquele segredo. Ele é só meu! Há momentos em que precisamos ser sinceros conosco mesmos. Esse foi um grande passo. Eu ensaiei um sorriso de recomeço. Apenas um esboço no canto esquerdo do lábio e uma contração na testa.

Isso se chamava reflexão, não tristeza. Havia me conscientizado da gravidade do meu ato. Jurei, juro e jurarei nunca mais tocar nesse ponto. Que decepção! Eu tinha mexido na parte que mais valorizo: o mistério das pessoas, da vida! Foi errado, definitivamente errado e infantil. Contudo, tendo prometido nunca mais fazê-lo, sentia-me melhor, perdoada. Se fizessem isso comigo eu realmente me sentiria estranha. Talvez lisonjeada com tanto interesse, mas ao mesmo tempo desrespeitada.

Eu precisava olhar por mim, perseguir os meus interesses.

Quantos pensamentos temos por dia? Milhões?
De onde eles surgem? Sim, do cérebro. Mas por que temos a tendência de pensar em determinados fatos?
Concordo, há pensamentos que nos levam à exaustão.
Cogito ergo sum

Como uma verdadeira artista, gosto de tornar tudo que é vida um pouco menos realidade e mais arte. Escrever é arte. Portanto, me coloco frente ao computador e digito, com rapidez e vontade, tudo isso...Torno eterno e lírico o que me incomoda, pra que um dia eu releia e relembre e diga:
- Aquela foi uma das perguntas feitas por mim, para mim, que me tornaram um pouco melhor, o que eu sou hoje!

Mão no queixo, outra no teclado. Leio "Título" e penso em me repetir. Porque tem coisas que não têm título. Simplesmente existem.

Postado ao som de milhares de pensamentos. E da chuva :D

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