terça-feira, 30 de setembro de 2008

Diálogo

Minhas palavras são a metade de um diálogo
obscuro
continuando através de séculos impossíveis.

Agora compreendo o sentido e a ressonância
que também trazes de tão longe em tua voz.

Nossas perguntas e resposta se reconhecem
como os olhos dentro dos espelhos.

Olhos que choraram. Conversamos dos dois extremos da noite,
como de praias opostas. Mas com uma voz que não se importa...

E um mar de estrelas se balança entre o meu pensamento e o teu.
Mas um mar sem viagens.

Autor: Cecília Meireles


"Minha vida continuou e de repente eu me dei conta de que poderia viver sem você."
Clarissa Guerra de Medeiros

Meu lado "susse":
http://www.youtube.com/watch?v=kmq5YMor5Zw

Thirteen days.
Forty six days.

domingo, 28 de setembro de 2008

O Último Blues

Chico Buarque

Teatro S. João - Lapa - Maio 2007

Essa menina que você seduz
E um dia depois
Sem mais nem mais, esquece
Ela, no fundo, é uma atriz
Quando beija a sua boca
E nada acontece

Essa menina que você seduz
Agora é uma atriz
Saída de outra peça
Chamada "Doces Ardis..."
Quando beija a sua boca
Ela começa a fraquejar
Por onde anda a sua mão
Você só quer se aproveitar
E ela delira
Rodopiando no salão
Os dois parecem um casal
Mas é mentira
Teatro S. João - Lapa - Maio 2007

Essa menina pode ir pro Japão
Na vida real
Você é quem enlouquece
Apaga a última luz
E nos cantos do seu quarto
A figura dela fosforesce
Ao som do último blues
Na Rádio Cabeça
Se puder esqueça
A menina que você seduz


http://www.youtube.com/watch?v=t5biRwiJUlI

terça-feira, 23 de setembro de 2008

"...eles não entenderiam"

Ela me disse que era necessário só mais um ano, que tudo se resolveria.

Então, eu disse-lhe que, quem sabe, mais alguns meses seria o suficiente. Eu não acreditara. Ele não acreditou.

Pra mim, um ano significava o começo da eternidade. Argumentei, com os olhos já vermelhos, com as lágrimas todas acumuladas, na iminência de explodirem, saltarem. Ela me disse que passaria rápido. Eu calei. Balancei a cabeça com pena de mim. Que ridículo. Pena! Com a cabeça baixa, eu escutava aqueles conselhos preocupados, seguros. Ergui os olhos, devagar, encarei os olhos dela. Estava firme. Sem pena de mim. Meu eu-razão concordava prontamente. Meu eu-sentimento relutava.

E as memórias que vinham sem dó nem piedade? Aquilo me afligia de maneira que eu não tinha mais armas pra me defender. (Será que um dia cheguei a ter tido tais armas?!) E as emoções dominavam.

Ela continuava falando, muito mãe, muito mulher que sabe da vida. E sabe. Até que sem querer eu balancei minha cabeça como um "sim". Espantei-me comigo mesma. Eu concordara com algo que há pouco desacreditava. Identifiquei meu conflito eu-razão versus eu-sentimento.

Ela ficou quieta, esperando meu retorno. Escolhi passar por aquele um ano da melhor forma possível. Seria um século. Mas era o melhor pra mim. Pra ele? Sei lá. Na hora, importei-me muito com o que pensaria disso tudo. Depois, importei-me um pouco . Hoje, não me importo mais. Nem ligo mais ter que esperar.

Um ano é pouco. É coisa de calendário. Tudo marcado, esquematizado. Minha boca vem dizendo palavras de liberdade, de "não importa o dia". Ele se matou. Ela concordou. Eu vivo. Sou o presente do agora nesse instante. Os outros são futuros passados e perdidos...

Essas idéias não têm conclusão. Eu não aprendi a dar belos desfechos. Portanto, eu digo:FIM

Actress, 23/09/2008




http://www.youtube.com/watch?v=SsK90GWBVLY&feature=related

sábado, 20 de setembro de 2008

"Você já é uma boneca..."

"Teresa, se algum sujeito bancar o
sentimental em cima de você
E te jurar uma paixão do tamanho de um
Bonde
Se ele chorar
Se ele ajoelhar
Se ele se rasgar todo
Não acredite Teresa
É lágrima de cinema
É tapeação
Mentira
CAI FORA"
Manuel Bandeira

Como dito, dois vídeos:
Boa música:http://www.youtube.com/watch?v=I5GxBcZ6Jp8
Um pouco de inutilidade (me lembrou a frase do título:P): http://www.videojug.com/film/how-to-be-ladylike

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Delírio amoroso

Um sol frio cobria a cidade. Finalmente um pouco de luz depois de tantos dias escuros e gelados. Ela caminhava a passos largos, na pressa dos seus pensamentos. Estava triste. Na verdade, não sabia se sentia-se verdadeiramente triste ou não. Talvez um pouco apática.

Ela não deveria estar mal por causa daquilo, apenas, um fato tão insignificante!

Sente vontade de seguir aquele homem de terno. Vontade louca e bizarra. Ela o faz. Segue-o passo a passo. Quem sabe descobrisse onde mora, aonde ia, o nome, a idade, o jeito de falar, de olhar, de sorrir. Se era feliz, infeliz, a cor preferida, a comida que mais lhe agrada. O cheiro!

Como pode isso? Desejo de resgatar o coração de um certo alguém, cuidar dele, beijá-lo e preocupar-se com ele. Ímpeto de doar seu coração. Só. Apenas. Somente o coração. A alma dele seria dele e a dela, dela. Alma é algo muito individual. Misterioso e delicado. Caso ela conseguisse a alma dele, seria duas. Duas pessoas, porque teria duas auras. E isso é completamente inadmissível. É necessário separar. É preciso manter certas obscuridades. Segredos não foram feitos para serem contados, espalhados. Ela sabia disso.

Tanto sabia que passou ela a ser o objeto de perseguição. Já havia passado a posição do de terno, quando atravessara a rua. Sentia a sombra dele. teve medo de ter seus segredos revelados por alguém tão alto. Ela refletia de tal maneira que ficava com a impressão de que tudo que passava pela sua mente estava sendo escrito, simultâneamente, na própria testa. Parecia que os transeuntes poderiam ler sua intimidade. Pânico!

Perdeu-se da vista do homem. Perdeu-o de vista. Voltou à realidade e o vento fresco ameaçava seus cabelos. Lembrou-se da tristeza, a possível tristeza. Olhou pro céu azul-claro, olhou pras árvores, olhou pra rua...Quis que fossem seus brinquedos. Daria uma grande festa naquela praça.

A esperança batia na porta de um neurônio. Abriu-se mais um canal de sódio. Quem sabe ela ainda encontrasse, tivesse a surpresa de.

"Rua São Francisco", lê-se na placa. Santos, anjos, deuses. Ah, Santo Antônio!

Actres, 16/09/2008


Que comentários tecer? Primeiro, é um texto de sentimentos completamente individuais. Pode ser tudo meio estranho, mas eu curto escrever assim. A tal escrita automática do fluxo da consciência. Adoro a antítese da primeira frase. Como um sol pode ser frio? É...no meu mundo pode, nas minhas angústias, ânsias, medos, alegrias, esperanças. E de verdade senti o sol frio nesse dia.

Ah, preguiça de escolher vídeo.
Próximo post vem com dois. ;D

domingo, 14 de setembro de 2008

"Não há pequenos papéis, e sim, pequenos atores."

Stanislavski


Ah! Que saudade de escrever aqui!
E...que semana conturbada! Mas agora tá tudo certo.

Então. Tivemos uma bela estréia ontem (sábado). Foi surpreendente para mim, porque eu estava com medo de que muita coisa não desse certo. Figurinos, cenário, sonoplastia, tudo em cima da hora...Só eu sei como detesto falta de organização nas montagens. Apesar de toda a correria e noites mal dormidas resolvendo isso, acabou. É só apresentarmos...

Devido a toda essa tensão, me desiludi um pouco do que faço por lá, no teatro. Não sei...a gente pensa, fica na dúvida se todo o esforço vale a pena. Porque eu realmente tive momentos durante esse processo em que pensei em desistir de fazer o espetáculo. Me senti muito desvalorizada. Porém, hoje, estando mais calma, percebo que fiz muito certo em permanecer no elenco. Oras, eu amo o que faço, o palco é o MEU lugar e sei dividí-lo muito bem com quem também ama...Nada nem ninguém vai me fazer desistir do meu objetivo de CONTINUAR SENDO ATRIZ. Pois eu já sou uma, eu sinto isso. Definitivamente, não é um registro profissional que faz alguém agir com profissionalismo

Decidi! Não vou me deixar humilhar, mas também não vou desistir. Fazer teatro é, também, atuar, literalmente e não-literalmente, com determinação e perfeccionismo. É sempre necessário estudar, ler, pesquisar. Se ator não pára de aprender e evoluir, eu não páro!

E, finalmente, vou fazer minha primeira gravação!!! É só uma pontinha de nada, mas pra quem tem medo das câmeras é uma experiência perfeita!

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"Quando um ator finalmente aprende a interpretar todos os tipos de papéis, geralmente já está velho demais para eles, e só pode interpretar alguns poucos."
William Somerset Maugham

"A finalidade da arte é, simplesmente, criar um estudo da alma."

Oscar Wilde

"O teatro é a poesia que sai do livro e se faz humana."
Federico García Lorca

"A vida é uma tragédia quando vista de perto, mas uma comédia quando vista de longe."
Charles Chaplin

"O artista tem que ser gênio para alguns e imbecil para outros. Se puder ser imbecil para todos, melhor ainda."
Nelson Rodrigues

Um site interessante: http://www.releituras.com/

http://www.youtube.com/watch?v=Jo4JG0l1t1k&feature=related.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Cats_(musical)

domingo, 7 de setembro de 2008

Vamos mudar o mundo?

Quando pensamos em meio ambiente quase instantâneamente pensamos no fim dos Recursos Naturais e em Desenvolvimento Sustentável. Até quem não sabe o significado desses termos já os ouviu em algum lugar. Perfeito. Nada como a informação. Mas nada pior do que a informação sem conteúdo. E eu me pergunto: temos consciência ambiental ou vivemos no senso comum?
http://www.unb.br/temas/desenvolvimento_sust/index.php
http://www.gpca.com.br/gil/art80.htm
Admito não ser a melhor pessoa para falar sobre o assunto, mas considero-me verdadeiramente preocupada com essas questões.
E quanto à nossa relação com os outros seres vivos? Como andam nossos níveis de sexismo, racismo e especismo? Respeitamos os outros animais e vegetais? O sexo oposto? As diversas etnias que existem?
Não faço questão de responder porque não é minha redação do vestibular, e deixo em aberto porque eu não sou dona da verdade. Contudo, acho interessante pensar sobre isso.
Eu sou onívora, como carne e vegetais, entretanto, admiro os vegetarianos que defendem os direitos dos animais que sofrem com as más condições de vida, abate. É uma pena tratá-los como meros objetos para obtenção de lucro. Não vou deixar de comer carne por causa disso, mas para quê tratá-los dessa forma? Será que realmente não existem outras saídas?
Esse assunto é longo, polêmico e admirável. Fica aqui a minha promessa de estudá-lo melhor e tentar fazer minha parte pra melhorar as coisas.

Foto: Alexandre C. Leite

O texto acima foi, literalmente, um pretexto pra eu colocar esse vídeo aqui. Ele é bem interessante. (Ando conversando demais com pessoas pensantes). Obviamente, não concordei com tudo nos mínimos detalhes, mas vale a pena ver. É um documentário que não foi lançado no Brasil. Pena...

Earthlings
http://www.youtube.com/watch?v=VQHVCzHM-4k

sábado, 6 de setembro de 2008

OLHAI OS LÍRIOS DO CAMPO

É uma pretensão minha esse texto. Achei-o há pouco, quando vasculhava meus documentos do Word. Escrevi ano passado, mas ainda não terminei, estou bem no começo. Preciso, ainda, estudar mais sobre ele e ler de novo. Escrevi baseando-me no livro que mais gosto: Olhai os Lírios do Campo, do Érico Veríssimo. Meu sonho é montá-lo no teatro. O grande problema dessa história é que ela é longa demais pra teatro e repleta de flashbacks. Os fatos não ocorrem em tempo cronológico, mas sim tempo psicológico. O livro começa no fim da história, praticamente, com Olívia no hospital, morrendo. No segundo capítulo, vai para a infância de Eugênio, o que, no caso da minha adaptação, eu cortei. Mas é uma parte de fundamental importância. Aponta uma característica extremamente marcante da personagem Eugênio: a vergonha da pobreza. Aliás, é isso que o persegue durante a vida toda e o faz trocar o amor pelo dinheiro. (Geralmente o ser humano faz isso. Detestável) Enfim...vou postá-lo aqui e depois, talvez em outro post, teço mais comentários sobre, porque geralmente ninguém leu esse livro...Hahaha.

OBS.: O que está em itálico é flashback.



PERSONAGENS

EUNICE
EUGÊNIO
HONÓRIO
ALZIRA
ÂNGELO
ERNESTO
TOMÁS
OLÍVIA

Cortina fechada. Eunice está sentada numa cadeira, lendo tranqüilamente. Entra Eugênio, abatido.
EUGÊNIO – Preciso ir à cidade! É muito importante.
EUNICE – Que é que você tem? Está tão pálido.
EUGÊNIO – É...nada. Apenas uma notícia que recebi. Sobre o Ernesto. Acho que talvez tenham...
EUNICE – Não precisa explicar. Você sabe que eu faço questão de não me meter na sua vida. Volta quando?
EUGÊNIO – Provavelmente só amanhã pela manhã. Teu pai chega daqui a pouco, você não vai ficar sozinha.
EUNICE – Não se preocupe comigo, posso tomar conta de mim mesma. Além do mais, gosto da solidão. Ela nos convida a exames de consciência. E, já que falamos nisso, você deve estar precisando de um também, não é?
EUGÊNIO – Até amanhã.
EUNICE – Até.

Eunice sai de cena. Eugênio chama o chofer.

EUGÊNIO – Honório! Tire o carro depressa. Vamos à cidade. É um caso urgente.
HONÓRIO – Sim senhor. Olívia?

Ele disfarça e não responde.

EUGÊNIO – Vamos. (Saem)


As cortinas se abrem. Ângelo cosendo e Alzira aflita. O cenário é apenas vários lírios, de diversas cores, pendurados e uma cadeira para os velhos.

ALZIRA – Ah, Ângelo, faz tanto tempo que os meninos saíram...
ÂNGELO – Não tem porque se preocupar, eles já são dois homens feitos, sabem se cuidar.
ALZIRA – É, mas eu sinto que eles ainda precisam da minha proteção. (Vento forte) Olhe...está cada vez mais frio lá fora e os dois saíram sem casaco!
ÂNGELO – Eles devem estar protegidos do vento na casa de algum amigo.
ALZIRA – (Depois de um longo silêncio) Ao mesmo tempo que Eugênio nos trás tanto orgulho fazendo a faculdade de Medicina, que ele tanto queria, Ernesto anda por aí, fazendo baderna. Fico tão triste.
ÂNGELO – Eu também. Parece que a gente errou em alguma coisa com ele. Aliás, não só ele. Eugênio também às vezes não parece nosso filho.
ALZIRA – Por que? Aconteceu alguma coisa que eu não sei?
ÂNGELO – Não, não. Digo isso por ser apenas uma impressão minha.
ALZIRA – Só sei que Eugênio às vezes sonha muito alto. Não que eu não acredite nele, mas as coisas nesse mundo são mais difíceis do que ele pensa.
ÂNGELO – Sim, Alzira. Você tem toda a razão. (Mais vento)
ALZIRA – Coisa triste, o inverno!

Eles ouvem uma discussão, vindo de fora da casa. Ernesto e Eugênio entram em casa discutindo.

ERNESTO - Ah, cale a boca, Genoca!
ALZIRA – Agosto mês do desgosto!
EUGÊNIO – Outra vez o jornal! “Baderna no Beco do Império” e o retrato dele, veja mãe! Veja pai! O retrato e o nome “Ernesto Fontes”, o nome inteiro! É pra isso que vivo estudando? É pra isso que papai e mamãe se matam? Pra você andar no vício e fazendo badernas? (Para a mãe) Se os rapazes da faculdade chegam a descobrir que ele é meu irmão, acho que não tenho mais cara de aparecer lá. Fique sabendo, seu Ernesto, que um de nós é demais nessa casa. Ou você desaparece amanhã, ou eu me mudo pra uma pensão! (Sai de cena)

Ângelo tosse, Alzira vai abraçar o filho.

ERNESTO – Eu é que vou embora!
ALZIRA – Não, meu filho. Seu irmão só está nervoso, falando coisas que não deve. Esqueça isso.
ERNESTO – Ele ta certo. Sou o grande problema dessa família. Ele vai ser o doutorzinho e eu vou ser o que? O vagabundo! Mãe, obrigada por tudo que você fez por mim. Pai, cuide dessa tosse. Eu amo vocês. Vou descansar. (Sai de cena, na direção do quarto)
ÂNGELO – Vamos também.
ALZIRA – Sim.

Madrugada. Ernesto vai embora com uma pequena mala.

ERNESTO – Adeus...

Mudança de cenário e luz. Olívia entra com uma mala pesada, está aparentemente cansada. Logo atrás dela, entra Tomás.

TOMÁS – Ta cansada é Olívia?
OLÍVIA – Sim Tomás. A aula hoje foi puxada.
TOMÁS – (Ri) Tem certeza de que quer ser médica? Você é a única mulher da turma, não sei se vai ter chance.
OLÍVIA – Tenho certeza absoluta. (Pausa) É, sou a única mulher, mas isso não é empecilho pra mim, pelo contrário. É motivo pra eu me orgulhar. E agora falta pouco.
TOMÁS – (Com ironia) Huuum. Corajosa a mocinha.
OLÍVIA – Obrigada Tomás.
TOMÁS – De nada.

Eugênio entra em cena animado.

TOMÁS – Opa! Genoca...O que achou da aula hoje?
EUGÊNIO – Muito boa. Oi Olívia.
OLÍVIA – Olá. Bom, eu vou indo, preciso dormir cedo hoje.
EUGÊNIO – Boa noite.
OLÍVIA – Boa noite. Até amanhã. (Sai)
TOMÁS – Essa garota é muito estranha.
EUGÊNIO – É...mas eu sinto que gosto dela. Ela tem tanta serenidade, é respeitosa, inteligente. E forte. Se eu fosse ela, ficaria extremamente chateada com as brincadeiras que fazem com ela na aula de anatomia.
TOMÁS – Ah cara, sei lá. Ela é calminha demais pro meu gosto. Mas e aí, vamos tomar uma cervejinha, dar uma volta...?
EUGÊNIO – Vamos sim...Apesar de eu estar cansado, preciso tomar um ar. Não ando muito bem ultimamente.
TOMÁS – Ah é cara? O que que houve?
EUGÊNIO - Problemas em casa. Só isso.
TOMÁS – É complicado. Mas não fica assim não. Nossa formatura ta aí já, o que a gente tanto quer. Só felicidade agora! Por sinal, já escolheu o smoking?
EUGÊNIO – (Com vergonha) Smoking? É...eu...não vi ainda não, até esqueci disso...
TOMÁS – O meu já ta separado. Serei o cara mais bem vestido da noite. (Ri) Vamos andando?
EUGÊNIO – (Incomodado) Sim, claro...


Actress, 03/12/2007

Por que ninguém nunca tinha me falado que já teve a novela?
http://www.youtube.com/watch?v=stg31Q_gFyM&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=iJb6bZcIoic

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

CLARICE LISPECTOR

Ela é apaixonante! Fantástica! Adorável! A cada dia que passa me deparo com autores maravilhosos, sobre os quais estudarei muito ano que vem, se Deus quiser! (Fazendo curso de Letras, estuda-se muito de Literatura, claro).

Não querendo me comparar a ela, de maneira alguma, mas sinto que a escrita dela saiu de mim. Explico: muito do que ela colocou no papel é o que se passa nos meus pensamentos. E o interessante é que estudiosos dizem ser ela uma das poucas escritoras (e escritores) que conseguiram ir tão a fundo na alma, na consciência humana. A nossa tal miserabilidade...

Considero o que sei sobre ela, ainda, muito pouco. Mas ela me chama a atenção, deveras. Mais do que merece um post no blog. Eu escolho a dedo o que escrever aqui...

"Epifania"
"Poemas em prosa"



FRASES:

"Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros."


"Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo."

"Olho o ovo com um só olhar. Imediatamente percebo que não se pode estar vendo um ovo. Ver um ovo nunca se mantém no presente: mal vejo um ovo e já se torna ter visto um ovo há três milênios. - No próprio instante de se ver o ovo ele é a lembrança de um ovo."
Contos: Felicidade Clandestina - O ovo e a galinha

"Estou cansada da rotina de me ser..."
A Hora da Estrela


Às vezes sentava-me à rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo. Não era mais a menina com um livro, era uma mulher com o seu amante.
Contos: Felicidade Clandestina - Felicidade Clandestina

Um vídeo que vale a pena esperar carregar. A tristeza dela...ah...
http://www.youtube.com/watch?v=9ad7b6kqyok

terça-feira, 2 de setembro de 2008

O Chão é Cama

O chão é cama para o amor urgente,
amor que não espera ir para a cama.
Sobre tapete ou duro piso, a gente
compõe de corpo e corpo a úmida trama.
E para reposar do amor, vamos à cama.

Carlos Drummond de Andrade




Flamenco is a Spanish musical genre with strong, rhythmic undertones and is often accompanied with a similarly impassioned style of dance characterized by its powerful yet graceful execution, as well as its intricate hand and footwork. Flamenco embodies a complex musical and cultural tradition.

"Loving it"


http://www.youtube.com/watch?v=Z6mwKG8FOAw

http://www.youtube.com/watch?v=IwqD859w2_E