terça-feira, 23 de setembro de 2008

"...eles não entenderiam"

Ela me disse que era necessário só mais um ano, que tudo se resolveria.

Então, eu disse-lhe que, quem sabe, mais alguns meses seria o suficiente. Eu não acreditara. Ele não acreditou.

Pra mim, um ano significava o começo da eternidade. Argumentei, com os olhos já vermelhos, com as lágrimas todas acumuladas, na iminência de explodirem, saltarem. Ela me disse que passaria rápido. Eu calei. Balancei a cabeça com pena de mim. Que ridículo. Pena! Com a cabeça baixa, eu escutava aqueles conselhos preocupados, seguros. Ergui os olhos, devagar, encarei os olhos dela. Estava firme. Sem pena de mim. Meu eu-razão concordava prontamente. Meu eu-sentimento relutava.

E as memórias que vinham sem dó nem piedade? Aquilo me afligia de maneira que eu não tinha mais armas pra me defender. (Será que um dia cheguei a ter tido tais armas?!) E as emoções dominavam.

Ela continuava falando, muito mãe, muito mulher que sabe da vida. E sabe. Até que sem querer eu balancei minha cabeça como um "sim". Espantei-me comigo mesma. Eu concordara com algo que há pouco desacreditava. Identifiquei meu conflito eu-razão versus eu-sentimento.

Ela ficou quieta, esperando meu retorno. Escolhi passar por aquele um ano da melhor forma possível. Seria um século. Mas era o melhor pra mim. Pra ele? Sei lá. Na hora, importei-me muito com o que pensaria disso tudo. Depois, importei-me um pouco . Hoje, não me importo mais. Nem ligo mais ter que esperar.

Um ano é pouco. É coisa de calendário. Tudo marcado, esquematizado. Minha boca vem dizendo palavras de liberdade, de "não importa o dia". Ele se matou. Ela concordou. Eu vivo. Sou o presente do agora nesse instante. Os outros são futuros passados e perdidos...

Essas idéias não têm conclusão. Eu não aprendi a dar belos desfechos. Portanto, eu digo:FIM

Actress, 23/09/2008




http://www.youtube.com/watch?v=SsK90GWBVLY&feature=related

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