quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Filme!

Vale a pena ver!

LINHA DE PASSE
por mim

Lutamos tanto na vida pra quê? Qual o valor do dinheiro? Da família? Da religião? Do trabalho?
Cinco histórias numa só. Três rapazes, um menino e uma mulher. A pobreza gera um círculo vicioso: descuido com valores morais e familiares. Roubar resolve? Usar a violência é realmente o melhor caminho? E o número ideal de filhos? Futuros bons cidadãos podem ser criados em clima de desestrutura psicológica, econômica, sentimental? São essas perguntas feitas por aqueles que assistiram ao filme.

Uma tarde de quarta-feira muitíssimo bem empregada, essa. Não me pesa a consciência ter largado as apostilas, teorias, exercícios para ir ao cinema. A intenção era assistir a um filme baseado numa obra de José Saramago - Ensaio sobre a cegueira, mas o horário era meio incompatível. Então, a decisão foi ver um filme brasileiro da promoção: Linha de passe. Por apenas dois reais, o que, diga-se de passagem, é muito pouco comparado ao que pagamos aos enlatados estadunidenses. Lá fomos nós...

Um lento começo (não que nesse caso tenha sido ruim). Sempre espero algo que me faça refletir em filmes mais recentes do Brasil. Não me decepcionei. Tudo é muito popular nas cenas, linguagem, figurinos, cenários...Aliás, os personagens principais vivem na pobreza. Retratada muito bem a simplicidade típica da doméstica ganhando um mísero salário. O menino em busca da figura paterna. Três jovens com características muito próprias: um sonha em ser jogador de futebol, outro vê-se em conflito entre o bem e o mal, o último, por sua vez, enconrta-se totalmente perdido e buscando a "luz no fim do túnel" na religião (duvidosa). Pra completar, são irmãos, filhos da mulher.

Ser pobre não é defeito, mas a sociedade não age a partir desse princípio. Há o preconceito, exclusão social, corrupção. Os que não têm posses não são nada.

Ao mesmo tempo, há um "destino crônico" para a classe baixa. Infelizmente a tendência é de permanecerem assim. Culpa deles? De todos? Não sei. Porém, é fato o desconhecimento ou a indiferença quanto a métodos contraceptivos ou planejamento familiar. Muitos filhos, pouco dinheiro, pouca comida, pouca cultura.

Dá até vergonha de participar de uma classe privilegiada e não fazer nada pra tentar mudar. Porque a verdade é que ninguém se importa. Por fim, me pergunto: será que eu me importo?

O filme não tem fim, talvez porque essa desigualdade nunca acabe. Pessimismo? Não, realismo. Pelo menos por enquanto.

Pena que a imagem é pequena... "A vida é o que você faz dela."


http://www.youtube.com/watch?v=htb3pX-6CVA

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