quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Onde há...

Trechos do conto "Os desastres de Sofia" - de Clarice Lispector

"Ferida, triunfante, eu respondia em desafio: pode me mandar! Ele não mandava, senão estaria me obedecendo."

"Não, talvez não seja isso. As palavras me antecedem e ultrapassam, elas me tentam e me modificam, e se não tomo cuidado, será tarde demais: as coias serão ditas sem eu as ter dito. Ou, pelo menos, não era apenas isso. Meu enleio vem de que um tapete é feito de tantos fios que não posso me resignar a seguir um fio só; meu enredamento vem de que uma história é feita de muitas histórias. E nem todas posso contar."

"A verdade é que não me sobrava tempo para estudar. As alegrias me ocupavam, ficar atenta me tomava dias e dias; havia os livros de história que eu lia roendo de paixão as unhas até o sabugo, nos meus primeiros êxtases de tristeza, refinamento que eu já descobrira; havia meninos que eu escolhera e que não me haviam escolhido, eu perdia horas de sofrimento porque eles eram inatingíveis, e mais outras horas de sofrimento aceitando-os com ternura..."

Porque ler Clarice me leva ao quase surreal

Gaia - Salvador Dalí


"É possível também que já então meu tema de vida fosse a irrazoável esperança, e que eu já tivesse iniciado a minha grande obstinação: eu daria tudo o que era meu por nada, mas queria que tudo me fosse dado por nada."

"Foi quando ouvi meu nome." - "Ao som de meu nome a sala se desipnotizara."

"Meu coração morria de sede."


"Ele matava em mim pela primeira vez a minha fé nos adultos: também ele, um homem, acredita como eu nas grades mentiras..."


http://www.youtube.com/watch?v=-gpGv0gG9fk

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